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Feia - A História Real de Uma Infância Sem Amor - Livro - Grande Almanaque Mauj


Feia, A História Real uma Infância Sem Amor 
Briscoe, Constance 
 Bertrand Brasil, 2009.
364 páginas.


Quando você chama o teu pior inimigo, a pessoa que mais você odeia de... mãe.
Constance Briscoe, inglesa de origem jamaicana, narra sua triste história.


Carmen Briscoe-Mitchell, a mãe, fez de Constance um sorvedouro de todas as suas frustrações, raivas e rancores. Agressões verbais e físicas extremadas, humilhações em todos os níveis era o cotidiano da infância/puberdade de Constance.

Desenvolveu caroços nos seios, de tanto levar socos e beliscões nos mamilos.
Perdeu os cabelos e sofria de incontinência urinária, causados pela constante tensão.
Ainda era preciso lidar com o assédio moral e sexual do padrasto.

Ouvir, o tempo todo, coisas como "feia, feia, feia.. boca de pneu, burra, idiota, p*ta, suja".

Aos 11 anos, implorou ao Serviço Social inglês para ser internada em um lar para menores, por não suportar mais o convívio familiar. Tendo seu pedido recusado, tentou o suicídio, ingerindo alvejante (que mata todos os germes, já que "germe" era um dos apelidos carinhosos que sua mãe lhe dedicara).

Foi abandonada em sua própria casa - sem gás, luz, e comida - aos 13 anos. E ainda tinha que pagar aluguel à mãe, por morar "na casa dela".

Não é ficção, drama mexicano ou devaneios de uma desequilibrada querendo se fazer de pobrezinha sofredora.
É tudo real, infelizmente, comprovado através de relatos de terceiros, cicatrizes, extensas fichas médicas.


Carmen processou a filha devido ao conteúdo da biografia.
Perdeu, haviam provas e mais provas contra ela.


Livro que exige um bom preparo emocional, precisei de vários "respiros" durante a leitura do mesmo.
É triste e pesado encarar a crueldade que acontece em família, quebrar a imagem perfeita do amor filial.


Nem tudo é tragédia.
De certa forma, Constance encontrou forças para sobreviver.
Se formou advogada, tornou-se uma juíza conceituada, venceu na vida pessoal e profissional.
É uma história de superação.



Nem sempre o mundo é fofo, né?
Pais tóxicos, os algozes dos próprios filhos, uma realidade em muitos lares.

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