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Kinembashi Building, o Treme-Treme de Nagoya - Grande Almanaque Mauj

Kinembashi Building Nº1
Edifício de dez andares. 
Região central da cidade de Nagoya.

É um prédio relativamente velho (construído em 1971),
cujas paredes confessam histórias macabras e muitos mistérios.


Com um histórico de parca manutenção, tornou-se um favelão vertical.
Moradia de  trabalhadores do submundo, idosos solitários,
imigrantes chineses, filipinos e vietnamitas.


Estas árvores já testemunharam muitas mortes.
Suicídios, idosos que morrem e ninguém nota, 
brigas de gangues de imigrantes.
Palco de crimes passionais.


São Paulo teve seu Treme-Treme, o demolido Edifício São Vito.
Nagoya ainda tem o seu
e há um projeto de desaparecer com este símbolo de míséria.

No térreo funciona um supermercado medonho.
Muito barato, mas não dá coragem de comprar nada ali.


Peguei uma entrada lateral do prédio e vou descer ao subsolo.
O acesso aos andares superiores não estava aberto para "visitantes",
bloqueado por milhares de garrafas pet.
Vem comigo!

Olha que  beleza esta fiação exposta.
Nunca tinha visto isso em um prédio do Japão.

No subsolo funciona(va) um eclético setor de comes e bebes.
Restaurantes de comida chinesa, indiana, japonesa; 
bares de acompanhantes (sunakku).

 Achei uma chave geral, acendi as luzes do local.
Fiquei com medo de botar fogo no prédio, por causa da fiação podre. 
Já pensou se crio um novo Joelma?

Tudo está vazio.
À esquerda temos o restaurante indiano. 
Do direito, o chinês

 Há quanto tempo estará tudo abandonado?
Vi um ratão passando no chão, 
mas não deu tempo de fotografá-lo.

Livraria e Sebo Aki.
Com um aspecto muito seboso.
Fechada e abandonada há muito tempo.

Livraria-café Mako.
Eita, duas livrarias concorrendo em um espaço tão pequeno!
Pois é, também fechou.

 O cheiro de mofo que saía da livraria era uma coisa.
Fiquei entorpecido.


A janelinha do bar de acompanhantes do 
desativado Cabaré Sakura.

 O "Round-up", puteirinho informal, anuncia que está em operação.
Só se for para desencarnados, pois também está fechado.
Por falta de segurança a prefeitura proibiu qualquer atividade no subsolo.

Do nada soaram gritos muito altos, em chinês.
Resolvi então me pirulitar do prédio.

Pena que não deu para visitar os andares habitados.
Olha o estado da parede!


Um dia volto lá, à noite!
Deve ser tetricamente emocionante.
Balança, mas não cai.
Veja também:

Comentários

Serginho Tavares disse…
adoro que você traz aqui um Japão que a gente desconhece.
beijos meu querido e amado Mauj

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