Pular para o conteúdo principal

Mais Chineses que Japoneses - Sabores - Seikourou - Grande Almanaque Mauj

Vem comigo que hoje vamos ao Seikourou.
Um pequenino, simpático restaurante chinês de bairro.
 Em Imabari, província de Ehime.

Confesso que gosto mais de comida chinesa
que japonesa. Te explico os motivos.

A culinária é o retrato de um povo, seus valores e cultura.
A japonesa é delicada, sutil, toda estruturada e de regras complexas
 tanto na preparação quanto no consumo. 
Até tomar um verde chá amargo se torna um ritual longo e ensaiado.
Pratos pequenos, serenamente compostos como arte.

Já a chinesa é colorida, perfumada, de sabores intensos, 
tem mais personalidade em seu preparo.
Chega a ser uma comida feia e pesada.
Banquetes chineses são homéricos,
as porções são sempre grandes, abundantes.

 Japoneses tem a mesa pratos refinados, caligráficos,
de tempero leve, beirando o insosso.
Uma fixação pelo cru e fresco 
que o animal chegar vivo à mesa 
é uma qualidade admirada.

Chineses passam tudo no fogo, 
cozinham até a alface de seus pratos, 
já que nem sempre a fonte dos insumos é confiável.
Pimenta, óleos diversos, condimentos que dão tons fortes
 de cor, sabor, aroma.
E come-se de tudo que vive ou mexe.

 Nós, brasileiros, temos um gosto e jeito de ser 
bem mais parecido com os chineses que japoneses.
Somos mais para o lado bruto, barulhento e não-polido.
Preferimos menos arte, preferimos mais sabor, cor e gosto.

 Buscando um equilíbrio,
misturamos um pouco das culinárias.
Pedimos um gostoso yakisoba
à moda chinesa.

E também carne de porco ao molho de gengibre.
Um pouco mais light que a versão original da China,
afinal estamos no Japão.


Arroz branco, conserva de pepino
e uma gostosa sopinha de ovos para acompanhar.
De sobremesa gelatina de leite de amendoas (annindoufu).
780 ienes, 21 reais.

Pedimos porções de karaage (karaguê) - 
frango frito empanado à moda oriental.
Uma fritura bem sequinha.
Acompanha salada de pepinos com nabo e gergelim.

O mundo vai além da sua rua, bairro ou cidade. Até mesmo de seu país.
Abra sua mente, experimente sabores diferentes dos que já conhece.
Conheça o que não se conhece.
Sair da zona de conforto e se abrir para novas experiências 
é sempre enriquecedor.

Comentários

Jamile Salim disse…
Muito mais apetitosa, cá pra nós! E como é barato!
Valéria Russo disse…
Adoro, aqui em Faro frequentamos um restaurante de comida japonesa e chinesa, os donos são chineses, marido que não gostava, agora quer todos os dias e eu sou suspeita para falar, amo igualmente ambas. Sempre digo que devemos experimentar de tudo pelo menos 1 vez na vida antes de dizer não gosto, não faço ou não quero. Vale para tudo ;)
Bjuivos no coração.


Loba.

Amei as fotos, lindaassssssssss

Postagens mais visitadas deste blog

A Imensa Falha Tectônica Japonesa - Grande Almanaque Mauj

A Grande Falha Tectônica Central (Chuo Kouzou-sen, 中央構造線) é o sistema mais longo de falhas tectônicas em território japonês.


Segue de Ibaraki (Kanto) a Kyushu, atravessando várias províncias (Aichi, Shizuoka, Nagano, Gunma, Osaka, Nara, Wakayama, Kumamoto, etc).

É praticamente um racho, uma "tampa partida" ao meio do Japão, afetando as principais e mais habitadas regiões do país.

Para piorar, ainda se une a várias outras falhas subjacentes, ramificadas por boa parte do arquipélago.

Faça mentalmente a imagem de um vidro trincado, analogia da imensa quantidade de falhas presentes em território nipônico.



Geologicamente o terreno/território japonês ainda é "jovem" e está em formação.

O Japão, sendo feito e montadinho por cima de várias e várias placas tectônicas a se mover, tem seu relevo local constantemente alterado em diversos graus de deslocamento.

O solo se move, surgem novas elevações, somem outras, vulcões despertam... e até mesmo novas ilhas são geradas!

E a ge…

A Grande Falha Tectônica de Mikawa - Memorial e Visita - Grande Almanaque Mauj

Vem comigo, siga a placa. "Mikawa Jishin Ware",  a terra que fora dividida pelo  Grande Terremoto de Mikawa. 
Estamos no Templo Sotokuji. Cidade de Gamagori, província de Aichi.
O local é uma espécie de memorial ao Grande Terremoto de Mikawa. Engloba as cidades de Nishio, Okazaki, Kota (distrito de Nukata), Gamagori e adjacentes.
13 de Janeiro de 1945, 3 da manhã. A baía de Mikawa se quebrava em solavancos, 
tremor grau 7 na escala Shindo. Fortíssimo.
Madrugada de horror que trouxe a morte de quatro mil pessoas.
Era o último ano da Segunda Guerra Mundial. A região já estava bastante destruída pelos bombardeios americanos.  O terremoto terminou por derrubar o que havia sobrado em pé.
O templo Sotokuji, apesar de muito danificado pela tragédia natural,  miraculosamente resistiu ao forte tremor. Tornou-se uma espécie de memorial em homenagem às vítimas do Mikawa Jishin.
Pela foto é difícil identificar a elevação do terreno,  neste local que a terra se partiu, abrindo-se em dois.
A Imensa Falha Tec…

Breve História do Odio Coreano Pelo Japão - Grande Almanaque Mauj

O Japão sempre teve uma relação tensa com as Coréias. Mesmo hoje em dia.
 A do Sul se destaca pela força econômica e cultural. Rouba o protagonismo do Japão na Ásia.
 O mundo é muito mais Samsung que Sony,  mais K-Pop que J-Pop.
Nas tvs de vários países 
donas de casa choram e sonham,  vendo novelas sul coreanas. Já dançamos Gangnam Style um dia.
A do norte precisa manter arraigado  o ódio ao Japão,
 para manter seu regime ditatorial e a ideologia Juche.
 Destruir o Japão é um dos sonhos norte-coreanos,
vingança dos tempos de dominação nipônica.
Pois é, 
o ódio ao Japão é ainda uma das poucas coisas,  além da língua, que unem ambas as Coréias (já te explico).
Estas fotos fiz na cidade de Komaki, 
província de Aichi. Dezembro de 2014.
No auditório do KIA - Komaki International Association. Coreanas apresentavam a belíssima dança Taepyeongmu
típica de seu país.
Um alegre e ritmado balé milenar, que celebra a paz. Encanta com movimentos fortes, mas delicados.
De onde vem esse ódio ao Japão? De tempos antigos.
D…

Geléia de Babosa - Sabores do Japão - Grande Almanaque Mauj

Uma geléia japonesa, em um belo tom âmbar.

Geléia de... babosa! Aloe Jam, da Kanpy. Comprei no Daiso (loja japonesa de R$1,99) . 100 ienes, uns 3 reais o potinho de 150 gramas.
 Não é cosmético,  feito para passar no corpo e cabelos. É doce, feito com a polpa de aloe vera,  acrescido de uva moscatel.
Gostosa essa geleinha!
A uva moscatel contém uma textura parecida 
com a parte interna da babosa. Ao serem mixadas, ambas se confundem  e a uva mascara o gosto amargo da babosa. Portanto aproveitam-se as qualidades da babosa,  sem ferir o paladar.




A babosa, também conhecida como aloe vera, é riquíssima em nutrientes.
Saponinas, minerais, cálcio, lignina, potássio, magnésio, zinco, cromo, cobre, ferro, etc.
Contém ainda vitaminas B e E.
Auxilia nos problemas do aparelho digestivo e fortalece o sistema imunológico.
Equilibra a glicose no sangue.

Estudos indicam o consumo de sua polpa como tratamento auxiliar em casos de câncer.

O Bordel Mal-Assombrado da Doutora Watanabe - Grande Almanaque Mauj

 Hoje vamos visitar uma velha e grande casa abandonada, carregada de estranhas histórias...
 Casa da Dra. Hana Watanabe. Destacou-se em seu trabalho na Cruz Vermelha Japonesa. É o que diz a plaquinha branca.

A placa amarela... Yasukuni Eirei no Ie.  Homenagem a um "herói" do Exército Imperial Japonês, 
morto em combate na Segunda Guerra Mundial. O único filho da doutora Watanabe, 
enterrado com honras, no polêmico Templo Yasukuni  (dedicado aos "heróis" de guerra japoneses), em Tokyo.

Tem mais uma plaquinha, no canto direito. Eita!  É um aviso que o local é... 
proibido para menores de dezoito anos!
Ih, gente.  A casa dos heróis de guerra virou... um puteiro? Depois da morte da médica, a casa foi alugada pelos parentes. Virou comércio (de gente).

Snack Bar Bian. Japonesas, filipinas e chinesas divertiram os homens da região por muitos anos.
Anexado ao rendez vous, um restaurante de Lámen, o Mikawaya. (eu te expliquei o que é lamen, clique aqui no link) Para os clientes comerem algo
antes…