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Toyota e Seus Problemas - Como Afeta os Brasileiros Radicados no Japão? Grande Almanaque Mauj

2016

8 de Janeiro - Explosão na Aichi Steel, uma fábrica de aço localizada na cidade de Tokai (Aichi). O incidente gerou uma grande escassez de peças.
Uma semana de paralisação em toda Toyota

14 de Abril - Grande Terremoto de Kumamoto, região de Kyushu, sul do Japão.
Fábricas da Aisin Seiki, localizadas na região, danificadas.
Idem infraestrutura local, gerando problemas enormes de logística.
Novamente a Toyota para.

30 de Maio - Explosão na Advics, fábrica do Grupo Aisin, em Kariya (Aichi).
Toyota novamente paralisa suas operações.


A Toyota, a grande montadora japonesa de automóveis, precisou por três vezes paralisar sua produção no ano de 2016.
Queda de 16,6% na produção em comparação ao ano de 2015.



2017

20 de Março de 2017 - Incêndio na Toyota Shatai, em Inabe (província de Mie), no setor de pintura.
Afetadas as linhas dos modelos Alphard, Vellfire e Hiace. 

A produção será interrompida até confirmação de segurança por parte da empresa e fiscais do governo.



do twitter: @syogeki119



Reação em cadeia: a Toyota apenas monta os carros, com peças oriundas de uma longa e concatenada rede de fornecedores por todo o Japão. Se a empresa cessa sua produção, toda a sub-rede da Toyota é atingida e obrigada também a pausar suas atividades.

81 mil unidades de produção são afetadas, em diversos graus.

A empresa tem condições de recuperar a produção atrasada, porém isso gera um custo alto à empresa: horas extras aos funcionários, alteração de cronogramas, logística, planejamento, clientes que podem cancelar pedidos.

Os lucros da montadora japonesa podem ser severamente afetados.


Como estas interrupções laborais obrigatórias afetam os brasileiros no Japão? 
Boa parte dos dekasseguis que moram no arquipélago japonês trabalham na indústria automobilística, em empresas ligadas ao grupo Toyota/Aisin. A comunidade é sensível a qualquer oscilação na líder mundial em vendas de veículos.

  • Taiki - funcionários são orientados a ficar em casa em dias laborais. Recebem 60% da diária. Nem sempre as empreiteiras repassam corretamente o valor.
  • Perda dos Yukyu - folga remunerada mensal que cada trabalhador tem direito após seis meses de trabalho - acabam sendo usadas para descontar os dias parados.
  • Alteração de horários e rotina - na retomada da produção, há que se compensar o atraso. Aumento nas horas extras, dias de descanso acabam por ser cancelados. Férias/Feriados (Golden Week, Obon, etc) podem ser encurtadas.
  • Moral - até que ponto é seguro trabalhar em uma fábrica? Qual o risco que se corre? O aumento do stress no ambiente de trabalho é notável.
  • Salário - menos dias trabalhos alteram planejamento de gastos e economias. Em épocas de salários magros e impostos em alta é complicado fechar o mês no azul.
Sinceramente, a única coisa em relação à montadora que me preocupa é a situação dos brasileiros e seus empregos. Fora isso, não sou fã da marca e muito menos de seu sistema de trabalho "Toyota Just in Time" - que esgota o trabalhador ao máximo, explorando do mesmo tudo que é possível e descartando-o assim que "perde a serventia". Este modelo de produção se espalhou por toda a indústria japonesa e mundial.

Não são poucos os relatos de maus-tratos em ambiente de trabalho, das rotinas exaustivas na qual o trabalhador brasileiro se torna um escravo a valer menos que uma peça de carro, sendo tratado como item descartável.
Para muitos dekasseguis, o trabalho na Toyota e sua rede de indústrias se traduz em um Auschwitz diário, em nome da subsistência. Paga-se bem, mas o inferno é grande.
Boa parte do sucesso da indústria asiática apóia-se na exploração humana disfarçada de trabalho braçal.

Comentários

Anônimo disse…
que horror, nao vai ser mais minha escolha de carro
Anônimo disse…
até que enfim alguém teve coragem de dizer o quanto os brasileiros são explorados nas fábricas japonesas!eu já trabalhei na toyota e na aisin e em ambas foi a pior coisa da minha vida!!!!!!!!
nunca mais piso em nenhuma dessas bostas!!!
Anônimo disse…
ODEIO ESSA FÁBRICA
QUE QUEIME TUDOOOOO
E bem o que acontece!! Muito boa a materia
Parabéns 🎈🎊🍾🎉
edson matsukawa disse…
Trabalho na aisin e verdade
Anônimo disse…
morreu um brasileiro na aisin ai de nishio

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Para piorar, ainda se une a várias outras falhas subjacentes, ramificadas por boa parte do arquipélago.

Faça mentalmente a imagem de um vidro trincado, analogia da imensa quantidade de falhas presentes em território nipônico.



Geologicamente o terreno/território japonês ainda é "jovem" e está em formação.

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