2.19.2017

A Grande Catarse - Crônica Batucada de Carnaval - Grande Almanaque Mauj



Oi! Boa semana para você!



A catarse anual de um povo.
Liberta-se o vapor da panela de pressão interior de cada um.
(senão o povo explode, ainda mais em épocas tão tensas).

Problemas se anestesiam.
Ampliam-se os sentidos, o sensorial dita as regras.

A loucura é botada para fora, permite-se despir a máscara colada da aceitação social.

Rainhas, reis, animais, personagens diversos ganham vida e caem numa follie desgraçada que parece não ter fim e muito menos limites.

A suburbana pobrinha ganha seus dias de luxo na fantasia caprichada.
Desfila e olha por cima, se sente rica, linda e rainha.

O nego do armário e arma-se de kanekalon, batom. De saia se sente a mulher.

A reencarnação da Cleópatra sai para conquistar todos os homens do Egito e da Vila Dalila.

A feia de cara tem a grande chance de mostrar a bunda bela.
O santinho e moralista dá uma espiada marota na sacanagem alheia, escondido entra na farra.

Grita, pula, canta, dança, bebe, ri muito e come, os foliões.
Arrebentam a represa de sentimentos e sensações, mais estragos que a Samarco causam.


Todo beijo vem assinado de irresponsabilidade, não-compromisso, apenas desvario.
O teu sexo, tão particular, estatiza-se e o público geral ganha acesso livre, grátis.
Sem compromisso, é carnaval.


O país humilhado pelas notícias negativas faz um espetáculo de cores imenso, transformando todo o universo em seu palco. Brilha e esquece do próprio fracasso, do seu gosto de miséria.
Carros alegóricos gigantes, cores mil em passarelas, corpos bronzeados, música.
A TV esquece das notícias ruins, da novela arrastada e se inunda de gente feliz dançando, pulando, colorida.

Tudo funciona praticamente perfeito. 
É a nossa incoerência de brasileiro: a hora que somos mais perfeitos é justamente na hora da farra.

E ninguém está nem aí para nada!
Lança-perfume coletivo, o mundo fica cheiroso, colorido, lúdico e louco.
Rodopiante.
Nivela rico e pobre, branco e preto, homem, mulher (e suas misturas) no éter extático.

Mesmo quem não gosta de carnaval, gosta. Vira férias.

E vem a quarta-feira. 
De cinzas, pois é um funeral na verdade, a ressaca de fim-de-domingo multiplicada pelo infinito. 
Realidade vem voltando para casa, hora do sonho dizer tchau.

E começa o sonho para o próximo carnaval.


6 comentários:

Anônimo disse...

sou fã de seus textos

MARLENE disse...

Excelente crônica, Ale! Nota dez! Odeio carnaval,mas amo o feriado...rsrs. Beijinhos brasileiros pra vc! 😘❤😘

Mauj Alexandre Imamura Gonzalez disse...

Obrigado sua linda

Mauj Alexandre Imamura Gonzalez disse...

Mto obrigado!

Wanderley Boccaletti disse...

Muito bom amor adorei

Executiva de Panela disse...

Fui pesquisar no Google onde fica a Vila Dalila. rs rs rs Ótima crônica. É isso mesmo! Beijos!