5.16.2016

Minhas Histórias com Cauby Peixoto - Grande Almanaque Mauj


Ouvi muito. Em antigos discos 78 rotações, em LPs, da coleção que tínhamos (ainda temos) em casa, no Brasil.

Sempre que ele aparecia na tv, eu prestava atenção.
Era um misto de pavão com Don Juan, homem e mulher, em cabelos infestados de caracóis em kanekalon, que balançavam. Hiper maquiado, laquezado, provavelmente perfumado. Enfim, artista em tudo e sempre original. Muito à frente de seu tempo.


Achava engraçado quando ele, com todos seus trejeitos, brilhos e requebrados, aparecia nos programas da Hebe, Lolita Rodrigues (Clube dos Artistas, Almoço com as Estrelas), Globo de Ouro e cia... e as senhorinhas-fãs diziam "acho que ele não é gay, não. Isso é coisa de artista, né, eles são todos excêntricos".




Conheci, aqui no Japão, uma mulher que era uma grande fã dele. Japonesa.
Nos idos anos 1950, ainda mocinha, ao ouvir por curiosidade rádios internacionais em ondas curtas, se deparou com uma bela voz grave, sedutora e levemente cavernosa.
Um arrepio lhe tomou o coração, apaixonou-se pela voz do intérprete brasileiro.
Desde então virou fã absoluta do rapaz.
E como legítima fã maluca, foi ao Canecão, etc e tal, para ver seu ídolo de perto.
Viajou do Japão ao Brasil por Cauby algumas vezes. E foi correspondida em seu amor: conheceu o ídolo de perto, que lhe fora muito atencioso e carinhoso.



Elvis Presley brasileiro, diziam os americanos. Gravou discos lá nos Estados Unidos, com o nome artístico de Ron Coby. Simplesmente perfeito.

Minha professora de matemática, dona Nialva (eita velha chata do kct) não se conformava que ele era gay. Foi sua paixão de adolescência, primeiro amor de juventude.

Soube usar do star-system como ninguém!

Também perdeu a mão nas plásticas, acabou virando tamborim.
De coroa bonito, virou caricatura de si mesmo.

Conheci uma Conceição. E mais de uma. Ganharam esse nome por causa da famosa música que ele gravou... Uma até brincava "Por que ele não gravou uma música chamada Janete?".

Poxa, lembrei que na fazenda de meus avós havia um pato, branquinho e marrentamente invocado, chamado Cauby! Casado com a Celly (Campello), a pata! Cheguei a conhecer (e tomar bicadas) do nervoso Caubyzão!




Sem dúvidas um grande artista. Foi (e sempre será) um dos melhores.
Dos tempos de ouro do rádio, da grande música brasileira.
Admiro e sou fã, também. 
Deixou a vida para virar mais uma estrela no céu, eternamente brilhando e muito.

15 comentários:

Jhony the cat disse...

muito lindo, voce escreve como ninguem.Esse texto ficou maravilhoso.
Te amo te amo te amo....bjsssssssss

angela disse...

Adorei!

Marta disse...

Lindo texto Ale, uma grande voz se cala

Marta disse...

Lindo texto Ale, uma grande voz se cala

viagem disse...

Conheci o aquariano Cauby que, apesar da fama, tratava a todos com super delicadeza e tinha uma memória incrivel. Ele viu minhs mãe uma vez e anos depois, ela estava com amigas num restaurante e ele fez questao de ir na mesa dela cumprimenta-la.
A 2 meses fui no Municipal ver um show dele com Angea Maria.Nao estava bem, mas era um icone.

Jamile Salim disse...

Em breve teremos só os Mcs por aqui .. Os bons estão indo embora. Tivemos sorte por ouvi-lo. Mais uma bela voz que silencia.

Palavras Vagabundas disse...

Ninguém mais cantara Bastidores como ele! Triste.

Maria Luiza disse...

Cauby, de certo modo era único, não se via nele resquício algum de outro cantor e assim permaneceu até o fim! Muito o admirei! Lindo texto, Mauj! Abração!Parabéns!

Malaenxuta disse...

Excelente seu texto. Vc escreve mto bem. Parabéns!

Jô Turquezza disse...

Oi amigo, você falou tão bonito!
Esse era o Cauby mesmo.
Ele ia sempre na rua que eu morava na infância e adolescência, o primo dele morava perto da minha casa. E o vi muitas vezes.
Um vozeirão que se cala.
Que pena .......
joturquezzamundial
Ótima semana.
Beijos querido.

Executiva de Panela disse...

Oi Alexandre! Foi um misto de emoções ler este texto tão bem escrito sobre o Cauby. Assim, de repente, você elaborou esta linda homenagem para ele. Voltei no tempo ao ler "Almoço nas Estrelas", eu amava as roupas e cabelos da mulherada sentada na mesa assistindo as apresentações. Achei sensacional a verdadeira admiração desta fã japonesa que viajava para ver Cauby (e naquela época a duração do vôo era muito mais longa para qualquer lugar - e ainda hoje o vôo Brasil - Japão já é longe né?
Foi um prazer ler sua homenagem!
Beijos da Executiva de Panela

Vera Moraes disse...

Amado Alexandre, que registro lindo da estrela Cauby. Ser Cauby não é para qualquer By. Fantástico!!! Adorei!! Bjo grande!!!

Diacuy Piccione disse...

Cantei, cantei Como é cruel cantar assim E num instante de ilusão Te vi pelo salão A caçoar de mim

Diacuy Piccione disse...

Cantei, cantei Como é cruel cantar assim E num instante de ilusão Te vi pelo salão A caçoar de mim

Juliana Ramalho disse...

Mauj como vc escreveu tão bem essa homenagem, conseguiu juntar todos os aspectos que nos fazem lembrar dele como o grande artista que foi.